TEXTOS

Levante Nacional Trovoa
Bárbara Milano

(A Coleção Calmon-Stock indica o Coletivo Levante Nacional Trovoa)

 

Para contar um pouco do que é, comecemos pelo difícil termo: racializadas. Difícil por toda sua abrangência, quando pensamos as complexidades das relações culturais, racializadas nos assenta as bases do que estamos cá questionando: pertencimento, gênero, raça… A triste herança de 365 anos de escravidão, os fluxos migratórios ainda não processados no imaginário coletivo, a raiz ancestral plural dos povos originários dessa terra Pindorama. Caminhos que despontam do termo, e traçam o percurso dessa construção coletiva. Sem um regramento ou manual de instruções seguimos de maneira orgânica a partir, sobretudo, da disponibilidade. Nascido como Levante, da inquietação de quatro jovens artistas na cidade do Rio de Janeiro, o coletivo hoje se expande por todo o território nacional a partir de articulações espontâneas de suas integrantes. Estando nas cinco regiões politicas do Brasil, o Nacional Trovoa se fortalece enquanto plataforma de articulação entre artistas, curadoras e arte/educadoras racializadas.

Quase cinco anos depois, um mapeamento de quem e quantas somos é imperfeito, dadas as muitas e distintas circunstâncias de produção e acesso pelo país. Contudo é possível dizer que somos muitas, e são muitas as ações para além do espaço restrito da arte. Rasgando os véus de invisibilidade a que corpos não-brancos são submetidos dentro da esfera formal de produção e circulação de obras, seguimos juntas, dando voz ao que se recusam ouvir, mostrando o que recusam ver… Bárbara Milano; Mônica Ventura; Camila Rocha Campos; Ianah Maia; Sheyla Ayo; May Agontinme; Aline Besouro; Kika Carvalho; Bianca Leite; Agatha Fiúza; Mariana Rodrigues; Nutyelly Cena; Eliana Barbosa de Amorim; Júlia Vicente; Glauce Patrícia da Silva Santos; Priscila Rezende; Karolina Pacheco; Moara Brasil; Jaque Rodrigues; Renata Felinto; Marissa Noana; Dhiovana Barroso; Hariel Revignet; Òkun; Fabiana Francisca Santos; Edilene Pinheiro Sales Huni Kuin; Maria Macêdo; Keila Serruya Sankofa; Auá Mendes; Consuelo Vea Coroca; Isadora Matos Mirim; Rebecca Batista de França; Thais Chaves; Gê Viana; Ione Reis; Jùjú; Gi Vatroi; Ariana Nuala; Lia Leticia; Georgia Niara; Mayara Maria Ferreira da Costa; Julliana Araújo; Marta Supernova; Aline Besouro; Mariana Marques; Yedda Affini dos Santos; Keyna Eleison; Lais Amaral; Ana Clara Tito; Gabrielle de Souza dos Santos; Val Souza; Pétala Lopes; Silvana Mendes; Nazaré Soares; Carolina Lauriano; Bruna Kury; Gabriela Monteiro; Ricca Lee; Lidia Lisbôa; Micaela Cyrino; Ana Raylander Mártis; Mitti Mendonça; Rebeca Ramos; Raizza Rodrigues Prudêncio; Zaíra Tarin;  Mitsy Queiroz; Karina de Oliveira da Silva; ; CYSHIMI; Aline Furtado; Ceci Bandeira; Alice Yura; Suzana Amorim; Juliana Alves; Aline Motta; Regina Elias da Costa; Suyane Oliveira Santos; Mirna Kambeba; Joyce Firmiano dos Santos; Rebecca Batista de França; Juliana Alves Xukuru; Aline da Silva; Mayara da Silva Santos; Nathê Ferreira; Biarritzzz; Ana Lira; entre outras.


Barbara Milano é artista, fruto entre o preto, o branco e o ancestral da terra, Xukuru, de Pindorama. Nascida em Piracicaba, onde passa um rio… Vive e produz a partir da cidade de São Paulo e itinerâncias. A costura entre diferentes linguagens desafia a forma – do corpo como ato [performatividade] à fotografia como registro silencioso. Os trabalhos abordam questões de identidade; ancestralidade; espiritualidade e gênero. Seu corpo é suporte de vivências imateriais. É mestranda em Artes pela UNESP-SP com o projeto Fotografia Ritual; pesquisadora nos grupos de pesquisa GIIP/cAT (arte e tecnologia) IA_UNEP; e integra o coletivo Levante Nacional Trovoa.