Institucional

A Coleção Calmon-Stock, sediada na cidade do Rio de Janeiro, é uma coleção de arte contemporânea brasileira que reúne 112 artistas e mais de 300 obras em seu acervo, incluindo pinturas, esculturas, instalações, vídeos, objetos, performances e, mais recentemente, NFT.  Inaugurada no ano 2000 pelos colecionadores Roberto Calmon e André Stock, a Coleção percorre as duas primeiras décadas do século XXI mantendo como fio condutor o apoio incondicional aos artistas contemporâneos, às novas galerias de arte e aos coletivos artístico-políticos. A Coleção Calmon-Stock, embora de caráter privado, está aberta às instituições, e já colaborou com empréstimos para exposições no Centro Cultural Banco do Brasil, Caixa Cultural, Museu da Língua Portuguesa, MAM Rio, Centro Cultural Maria Antônia, entre outras.

No ano de 2017 foi lançado com a curadoria dos artistas cariocas Omar Salomão e Fernando de La Rocque o livro “Corpos, Letras e alguns Animais”, que fez uma resenha e um recorte das escolhas dos colecionadores. O objetivo fundamental foi visibilizar os artistas da coleção em um momento do país em que várias instituições da cultura como o Minc, por exemplo – então extinto –, e a liberdade artística e de exposição sofriam ataques sem precedentes. Uma edição de 500 exemplares, com a colaboração de intelectuais brasileiros e estrangeiros como Marcelo Backes, Nina Saroldi, Evangelina Seiler, Alexandre Ribenboim, Daniele Dal Col, Olav Velthuis, Markus Gabriel, Christoph Türcke e Diederich Diederichsen foi distribuída a artistas, museus e galerias do Brasil, mas também da Alemanha, Inglaterra, Espanha, Holanda, Canadá, Chile e Argentina, com extraordinária recepção. Sua versão online foi publicada conjuntamente.

No livro, a curadora Evangelina Seiler escreveu: “a Coleção Calmon-Stock é mais que uma coleção, pode-se dizer que é uma curadoria residencial a partir da associação de objetos familiares e obras escolhidas. Curiosa, instigante e particular, a Coleção Calmon-Stock mostra dois colecionadores que escolhem suas obras independentemente de interesses externos. A coerência do conjunto é estabelecida pelos colecionadores e apenas por eles”.

Isso é verdade. No que diz respeito à coerência, porém, é  preciso acrescentar – desde um ponto de vista teórico – que é sobretudo a estética kantiana, em sua visão não formalista ou purista, aquela que nos aparece como farol e como caminho das nossas discussões e escolhas: no ato de sempre repensar o problema da autonomia do juízo estético para além das esferas estritas da arte ou de uma suposta autonomia do belo. Entendemos a estética kantiana e suas interpretações contemporâneas como chave teórica para pensar a Coleção, pois nela se juntam os tópicos que nos interessam: a arte, o belo, a obra, a política, a ética, as possíveis perspectivas do mundo e, com mais precisão, a ideia política da arte como criadora de novos sentidos comuns para a comunidade.

Nesse sentido, se há para uma coleção privada alguma missão ou visão, essa seria o olhar para o percurso da arte sobretudo através dos artistas e das obras, com suas diferentes maneiras de viver, ver e expressar o mundo. Sob esse aspecto, cientes de que estamos dos altíssimos critérios da arte, da crítica de arte e de sua história, percebemos uma horizontalidade em nosso modo de enxergá-la. Conviver com tantas obras, consagradas ou não, e com tantas histórias diversas, é não somente um privilégio, mas também um compromisso com a diversidade e com o fomento da igualdade. Como colecionadores, que transitam também em outras áreas do conhecimento, essa nos parece ser uma vereda natural.  Neste novo site – que abrange a maior parte da Coleção – dividimos com prazer e com grande alegria um caminho comum.

Roberto Calmon e André Stock

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